Um mês depois das enchentes em Alagoas, os agricultores ainda sofrem para transportar o que tiram da lavoura.
A zona rural de União dos Palmares, em Alagoas, é rica em plantações de banana comprida. A água abundante e a terra vermelha deixam o ambiente propício para o cultivo.
Mas o barro úmido e a chuva que tanto ajudam no cultivo da banana agora são vilões para os pequenos produtores. É que depois da enchente as estradas ficaram cheias de lama e intransitáveis.
“Nosso problema é com o transporte, porque a mercadoria amadureceu e a gente não pode transportar ela”, diz Argemiro Mendes, agricultor.
A produção local é vendida para municípios próximos e para o estado de Pernambuco. Duzentos agricultores familiares perderam o único acesso que tinham à cidade. A ponte desabou. Para atravessar tem que usar a escada e a ponte estreita de bambu. Dali em diante o jeito é levar a mercadoria nas costas ou na bóia improvisada. Sempre lutando contra a força da correnteza.
A dificuldade de transportar os produtos se reflete na hora da venda. As mercadorias ficaram mais caras, algumas dobraram de preço. O milheiro da banana passou de 60 para 120 reais. O saco da batata-doce que era vendido a 30 reais está 70. E o do inhame de 80 agora custa 160 reais. Por causa da cheia agricultores também perderam clientela.
“Já dá pra sentir a dificuldade, e a cada dia que passa fica mais difícil”, comenta José Lima da Silva, agricultor.
Em Alagoas, quinze municípios permanecem em estado de calamidade pública. Mais de vinte e sete mil pessoas ainda estão desabrigadas.
Fonte: Globo Rural