Apesar das exportações brasileiras de arroz terem chegado a 82,5 mil toneladas em junho, o que representa crescimento de 81% em relação a maio e de 13% sobre o mesmo mês de 2009, ainda não foi possível recuperar o terreno perdido no acumulado do ano. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), os embarques no primeiro quadrimestre (de março a junho) somaram 174 mil toneladas frente a 331 mil t do mesmo período do ano passado. Os números mostram ainda que o preço médio da tonelada exportada caiu de 309 dólares para 255 dólares entre janeiro e junho. Parte desta queda está relacionada à mudança de perfil das exportações brasileiras a partir de março, quando se passou a embarcar mais arroz quebrado do que beneficiado ou esbramado para ganhar competitividade no mercado externo. Em junho, 57 mil t vendidas para fora do Brasil foram de arroz quebrado, o equivalente a 70% do total.
Conforme o assessor de mercado do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Marco Tavares, o crescimento de junho é bastante positivo se analisadas questões como o câmbio e valores de paridade desfavoráveis, além de preços internacionais mais baixos do que no ano passado. "Em função da situação macroeconômica, passamos a priorizar os grãos quebrados que apresentam maior competitividade", afirma.
Mesmo frente ao atual cenário, Tavares diz que está mantida a meta de exportar 700 mil t até fevereiro de 2011. Há expectativa de quebras de safra na China e na Tailândia devido a problemas climáticos que podem favorecer as exportações brasileiras no segundo semestre. Contudo, será preciso uma recuperação nos preços mundiais. Já para o consultor Carlos Cogo, mantido o ritmo dos dois últimos meses, e sendo otimista, seria possível exportar 450 mil t, volume semelhante ao projetado pela Conab, de 400 mil t. Cogo lembra que a Índia estima recuperação do nível de produção de 2008, o que representa um adicional de até 12 milhões de t no mercado, impactando no preço. "É evidente que este ano não está bom, que é um ambiente desfavorável", resume Cogo.